terça-feira, 6 de julho de 2010

O Que é Prática Teológica?

Pensar em prática teológica é quase sempre pensar no nosso modo de ser igreja, como nos relacionamos com os ministérios, os grupos existentes e até mesmo decidirmos quais os rumos ou modalidades que adotaríamos eclesialmente.
Antes de elaborarmos qualquer pensamento acerca das implicações da Teologia Prática nos diversos âmbitos da nossa vida, é preciso que tenhamos claro qual o conceito mais aplicável, ressalta-se mais aplicável, pois seria de muita pretensão afirmar que seria o conceito mais correto, haja vista que a Teologia Prática nasce das reflexões das nossas práticas teológicas.
De posse deste conceito, podemos afirmar que fazer teologia prática é refletir criticamente sobre a teologia que praticamos em nosso contexto, ou seja, que relevância damos aos conceitos teológicos que aprendemos e como colocá-los em prática nosso cotidiano, o que quase sempre se apresenta como um desafio, pois podemos perceber que mesmo o nosso País ao orgulhar-se de ser um país predominantemente cristão os frutos que constatamos na sociedade são por muitas vezes valores anti-evangélicos.
Como pode um país que possui uma população cristã estimada em 85% da população, conviver com a miséria, a corrupção, a desnutrição infantil, o abandono dos idosos e tantas outras mazelas que assolam nosso cotidiano e nada muda ano após ano? Será que congregamos e prestamos culto a Deus somente nos finais de semana e dentro dos espaços físicos das nossas igrejas? Como testemunharemos ao nosso País que realmente deva ser do Senhor Jesus, se assistimos estupefatos e indignados homens que se dizer ser de Deus orando pelas propinas?
Como um país que convive com tantos escândalos políticos e tantas mazelas sociais convive com um crescente aumento de escolas, faculdades e cursos de Teologia espalhados pelo Brasil? Será que apenas vamos às escolas dominicais, catequeses e cursos de Teologia para ouvir e falar de Deus? Não, esta não deveria ser a prática teológica, um ensinamento teórico desvinculado de uma experiência de fé... Uma crescente teorização de Deus e a pouca vivência no dia a dia.
Tão crescente quanto o número de faculdades e cursos teológicos é também o mercado fonográfico e editorial cristão. Todos os dias nos deparamos com uma centena de novos livros e discos que contem supostas mensagens cristãs que pouco evangelizam, sendo que o mais triste deste fenômeno é o forte apelo comercial e incentivo ao consumismo revestido de uma pseudo-evangelização.
O que nos deixa preocupados é como criticamos o consumismo nos nossos púlpitos e cursos teológicos e acabamos incentivando a idolatria – a quem servimos a Deus ou ao dinheiro auferido pelo comércio cristão? A quem buscamos? É preciso que os teólogos, ministros instituídos ou ordenados, líderes cristãos repensem o modelo de evangelização midiático e o seu conseqüente consumismo.
E o que dizer das nossas igrejas? Quantos líderes, ministros, obreiros, teólogos que conhecem a verdade doutrinária, tantos homens e mulheres preparados intelectualmente e pouco dispostos a vivenciar a gratuidade, o serviço, a doação em favor de outros, quando pensam mais em fazer a igreja crescer estrutural e financeiramente em proporção ao maior número de adeptos, quando muito de nossos irmãos e irmãs de fé sobrevivem com um salário mínino, como podem líderes e ministros religiosos viverem o conforto e o luxo de uma classe burguesa quando nosso Mestre morreu sem nada na Cruz?
Dentre tantas dúvidas e inquietações, tenho a certeza que a prática teológica nasce de uma experiência de fé em um Deus Senhor, Salvador, Libertador e Santificador e que as nossas práticas de fé deveriam ser alicerçadas por uma linguagem acadêmica, científica que lançaria bases para os crentes a reverem sua conduta e prática religiosa no cotidiano.Enfim refletir a prática teológica constitui-se numa necessidade, e uma necessidade urgente, não basta apenas olhar criticamente a realidade, é preciso lançar sementes de esperanças, de alteridade, de compromisso com a realidade que nos cerca e que nos inquieta. Necessário se faz uma Teologia que nasça da verdade bíblica e de uma profunda vida de oração e que nos leve sempre a contemplar o Mestre e nos reencantarmos com a proposta de Jesus : ”que conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32).

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